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Como detectar um novo mundo

Este é um post bilíngue. Para a versão em inglês, clique aqui.

Um. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Isto é 100.000.000.000 ou 100 bilhões. Este é o número de estrelas que estimamos orbitar nossa galáxia, e mesmo assim, nós conhecemos 2609 que são orbitadas por exoplanetas. Isto é comparável a entrar uma sala gigantesca contendo pouco mais de duas vezes a população do estado de São Paulo, e mesmo assim ser capaz de ver apenas duas pessoas e meia. Vou explicar por que.

 

Exoplanetas ou planetas extra solares são os nomes dados aos corpos celestes orbitando estrelas fora do nosso Sistema Solar, mas detectá-los não é tarefa fácil, e frequentemente precisamos contar com métodos indiretos para saber que eles estão lá.

Em 1990, usando cálculos para medição da emissão de rádio de pulsares, cientistas detectaram uma variação em PSR B1257+12, um pulsar a 2,3 mil anos-luz da Terra. Um pulsar é um corpo celeste bastante único: seus sinais deveriam ser absolutamente estáveis, e qualquer variação precisa de uma explicação. Uma vez que dados suficientes foram acumulados, usando o rádio-telescópio de Arecibo no Novo México, os cientistas responsáveis foram capazes de deduzir que a única explicação para a variação no sinal do pulsar era se houvessem pelo menos duas grandes massas em sua órbita. Esse foi o primeiro método capaz de confirmar um planeta orbitando outro corpo celeste, ainda que não fosse uma estrela. Continue reading “Como detectar um novo mundo”

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How to detect a new world

This is a bilingual post. For a Portuguese version click here.

One. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. Zero. That’s 100,000,000,000, or 100 billion. That is the amount of stars we believe orbit our galaxy, and yet, we know of 2609 that are orbit by exoplanets. This is comparable to entering a huge room with the whole population of the states of California, Texas, Florida and Illinois together, and only being able to see two and a half people. Here is why.

 

Exoplanets or extra solar planets are the names given to celestial bodies that orbit stars other than our Sun, but detecting them is not an easy task and frequently we need to count with different indirect methods to know they’re there.

In 1990, using calculations to measure pulsar radio emissions, scientists detected a variation on the signal of PSR B1257+12, a pulsar 2.3 thousand light-years from Earth. A pulsar is a very unique celestial body: their signals are supposed to be rock steady, and variations need an explanation. Once enough data was accumulated, using Arecibo’s radio-telescope in New Mexico, the scientists responsible for the analysis were capable to work out that the only explanation for this pulsar’s signal variation was two big planetary masses. Continue reading “How to detect a new world”

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Escalas e dimensões

Escalas sempre me fascinaram. Quando era mais novo, eu adorava ler as escalas de modelos de carro (Revel, alguém?) e queria entender como aquilo funcionava. Divide 1 por 24? Pra que?

(por sinal, escalas de modelo são uma proporção entre o tamanho real e o do modelo. 1:24 por exemplo, significam que cada medida do modelo deve ser multiplicada por 24 para ter o tamanho da medida real)

Depois de mais velho, aprendi a apreciar escalas como uma forma de entender tamanhos muito grandes pra serem compreendidos só com medidas. Recentemente eu adaptei uma imagem que usa frutas como escala do Sistema Solar, pra usar frutas brasileiras. É uma excelente maneira de entender a diferença de tamanho dos planetas gasosos e dos rochosos, por exemplo.

Sistema solar em escala

Mas e a Via Láctea? Na escala da imagem acima, que tem o Sol com 2 metros de diâmetro, a nossa galáxia teria 1.3 BILHÕES de quilômetros de diâmetro! Essa é a distância real entre a Terra e Saturno!

Mas quanto isso é significativo? Bom, posso dizer que nossa galáxia tem 100 mil anos luz de largura, ou 6,000,000,000 vezes a distância entre a Terra e o Sol, mas isso são só números, é difícil entender realmente o quanto isso representa.

Então eu vi uma imagem que me ajudou a entender melhor.


Aproximadamente 100 anos atrás a humanidade descobriu e começou a usar ondas de rádio pra se comunicar. Desde então, as transmissões têm se afastado da Terra em bolhas de comunicação que se propagam na velocidade da luz (ondas de rádio, assim como outros espectros de radiação, se propagam na velocidade da luz), mais ou menos do jeito que as ondas se propagam ao redor da pedra que você joga na água, só que em uma bolha.

Sendo assim, essas primeiras transmissões de 100 anos atrás da bolha ‘mais de fora’, hoje formam uma bolha de 100 anos-luz de raio ou 200 anos-luz de diâmetro ao redor da Terra.

 

Esse é o tamanho dessa bolha em relação à Via Láctea inteira:

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Clique na imagem ou aqui para o link e imagem em tamanho original

Santa tartaruga!! A Via Láctea é gigante!

Eu adoro escalas.

 

Boas leituras!


Tamanho da Via Láctea (em inglês): https://www.universetoday.com/75691/how-big-is-the-milky-way/

Original da bolha de transmissão de rádio, por Adam Grossman e Nick Risinger: http://www.planetary.org/multimedia/space-images/universe/extent-of-human-radio-broadcasts.html

 

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Sistema solar em escala

Esta imagem tem circulado em blogs norte-americanos de ciência há algumas semanas:

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Comecei a traduzir, mas notei que alguns tamanhos não fazem muito sentido no Brasil. Aí resolvi adaptar a imagem usando frutas e legumes brasileiros.

Usando este site, você pode colocar o tamanho que quiser para o Sol, em mm ou polegadas, clicar em “Calculate” e o site calcula o tamanho de todos os planetas, bem como outras informações de mecânica orbital relevantes. Excelente para professores montarem planetas em escala com seus alunos!

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Usei o site, coloquei o tamanho do Sol em 2 metros (2.000mm), e baseado no tamanho esperado das frutas, achei versões parecidas em tamanho no Brasil. Ficou assim:

Sistema solar em escala

E aí? Gostou?

Boas leituras!


Fontes:

Post original no Reddit – https://www.reddit.com/r/interestingasfuck/comments/6fy3wh/comparison_of_planet_size_using_food/

Crie sua própria escala do sistema solar – http://www.exploratorium.edu/ronh/solar_system/

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Um amor bombástico

Proteu_01

Resolvi experimentar com quadrinhos. Tenho idéias pra uma série, vamos ver se cola!

Quando dois núcleos de átomos leves, como o hidrogênio e o hélio, são comprimidos, ocorre a chamada fusão nuclear (diferente da fissão, que parte os núcleos atômicos). Na fusão, além da criação de alimentos mais pesados, é liberada muita energia, daí a explosão do pobre do Proteu.

Além de energia limpa, esse é literalmente o combustível das estrelas. No coração do nosso sol, núcleos atômicos são comprimidos pela pressão social e pela gravidade massiva da estrela, liberando novos elementos, num processo constante, liberando toda a energia que aquece o sistema solar.

Por ser energia limpa, há varias empresas tentando replicar o processo aqui na Terra, sendo que uma delas alega ter recentemente conseguido obter plasma.

Boas leituras!


Fontes:

http://www.cfn.ist.utl.pt/pt/consultorio/listA.html#Q15

https://www.sciencealert.com/the-uk-has-just-switch-on-its-tokamak-nuclear-fusion-reactor

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Informação é criada ou descoberta?

Hoje não vou falar sobre as leis de conservação de energia; a pergunta aqui é mais metafísica: se um algoritmo puder criar todas as possíveis combinações de caracteres, ele eventualmente vai construir frases que façam sentido. Todas as possíveis combinações, incluem todos os textos possíveis, e, sendo assim, todo o futuro e o passado, tudo o que já foi e vai ser escrito.

Neste caso, a informação encontrada nas páginas foi criada?

Essa idéia não é recente, nem minha. Em seu conto de 1941, A Biblioteca de Babel (texto na íntegra), Jorge Luis Borges idealiza uma biblioteca infinita que segundo o narrador tem todas as possibilidades de combinação de letras possíveis, de texto possíveis, que não é infinita, mas é gigante. Desde repetições de caracteres ou palavras até textos e livros inteiros:

Tudo: a história minuciosa do futuro, as autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da Biblioteca, milhares e milhares de catálogos falsos, a demonstração da falácia desses catálogos, a demonstração da falácia do catalogo verdadeiro, o evangelho gnóstico de Basilides, o comentário desse evangelho, o comentário do comentário desse evangelho, o relato verídico de tua morte, a versão de cada livro em todas as línguas, as interpolações de cada livro em todos os livros; o tratado que Beda pôde escrever (e não escreveu) sobre a mitologia dos saxões, os livros perdidos de Tácito.

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Borges descreveu a Biblioteca com salas hexagonais e escadarias infinitas

Recentemente um autor estadunidense Jonathan Basile desenvolveu um portal para emular a Biblioteca, repetindo a mesma proeza sem a necessidade do espaço quase infinito pra acomodar todos os volumes.

Quase a mesma proeza. Na versão digital,

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Como você vê o céu?

Dark_sitesE aí, se você sair à rua hoje à noite, com qual dessas faixas o seu céu mais se parece? Se você for muito sortudo, talvez um 4 ou um 5? A maior parte de nós vive em, ou próximo a, grandes centros populacionais, então um 7 ou 8 é o mais comum, infelizmente.

Nossos antepassados, até algumas décadas atrás, viam só tipo 1 ou 2, ou seja, conseguiam enxergar outras galáxias e a nossa mesmo, à olho nu!

Seu céu no Rio deveria ser assim… fonte

“Mas então por que não vejo isso?” Excelente pergunta!

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